
Um dia a gente acaba sendo forçado a olhar para trás, querendo ou não. Olha-se para trás pra descobrir o que acabou fodendo com a situação atual. Ou olha-se pra trás por saudade (?) de coisas que não voltam mais. O problema é que não é tão fácil encontrar lá atrás o começo de uma bola de neve em particular.
Aí, foi olhando pra trás e tentando cair junto com a avalanche que eu cheguei aqui, exatamente no meio da bola de neve. Às vezes eu me pergunto se deveria ter analisado melhor a situação, pensado duas vezes. Mas eu estava muito orgulhoso, eu ia chegar aqui e resolver problemas que gritam mais alto. Identidade nacional. Moral lógica. Consciência lingüística.
Nesses dois meses morando no Canadá, eu aprendi tanto e vi tanta coisa, que com certeza não conseguirei ver novamente o mundo com os mesmos olhos. Mas ao mesmo tempo, ainda rola no fundo aquele questionamento, aquela coceirinha questionando se foi feita a coisa certa.
A minha resposta hoje é que sim, existe muita coisa nessa vida que precisa ser aprendida batendo a cara na parede, pelo menos para aqueles desprovidos de técnicas menos dolorosas, assim como eu. Aprendi muito mais com todas as coisas que me fizeram sofrer do que com aqueles conselhos amigáveis que recebi de pessoas queridas. Aproveito pra pedir desculpas às pessoas queridas que me deram conselhos, e me viram não seguí-los e bater com a cara na parede.
E é assim que a gente acaba percebendo, que lá atrás, aquilo que teve mais valor, foram todos os professores mais chatos, os ex-namorados (as) mais filhos da puta, os tombos mais feios, as escolhas mais erradas, e todas as cagadas gigantes que passaram, porque no final das contas foram elas que te derrubaram no chão e te fizeram levantar mais forte, pronto pra tentar mais uma vez, mas dessa vez com mais clareza de pensamento, e mais confiança.
Por isso eu deixo aqui, como legado, um agradecimento.
Dedico para aquela professora que me reprovou porque eu realmente não sabia a matéria, e mesmo tendo passado vários outros que sabiam tão pouco quanto eu, sabia que deveria ter forçado mais os meus limites, porque eu conseguiria ir mais longe.
Para aquele ex-namorado que depois de tanto amor, me viu tomando atitudes impensadas e terminando uma plantação que daria frutos, pela simples inveja de uma chuva alheia.
Para aquela que sempre se negou a mover um dedo pra me dar opiniões em relação às escolhas mais difíceis que já tive na vida, como um teste para que eu me transformasse em um homem de decisões firmes, mas que não por crueldade, porque nunca se negou a mover um dedo para me ajudar com o que fosse necessário depois que aquilo já se tornasse um projeto concreto.
E a minha própria coragem e sagacidade, que me deram cara e coração pra chegar onde eu cheguei, pelo simples sabor de realizar um sonho, mesmo tendo deixado tanto e tantos para trás.
Pela neve do Canadá, que quanto mais branca, mais esclarece minha mente e coração.
1 comentários:
Canadá *-*
Sonho em morar ai!
Foi por intercâmbio?
E concordo com o escrito, realmente as porradas que a gente toma são muito mais úteis do que conselhos. Não que eles não sejam, mas a absorção da lição que a porrada dá é muito mais rápida. Infelizmente, também aprendi muita coisa tomando porrada atrás de porrada.
E Lennon. CoÇeirinha? Nããããão please! heuHauHHhUEHUhauE
Poste mais, gosto de ler tuas coisas tio!
Abraço e sucesso ai no Canadá!
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