Saturday, August 22, 2009

Lógica do Toque


Cada dia mais o conceito de que todas as verdades são destrutíveis se reafirma. Seja pela incapacidade de ter ao alcance do universo palpável as próprias filosofias, ou pelo simples prazer em desconstruir o itinerário da mente, fazendo os dias diferentes uns dos outros. Tudo que permanece é sempre a incerteza e o questionamento que alguns consideram maturidade ou realismo.
As coisas que não são tangíveis por argumentos são sempre abandonadas para adubar os próximos frutos da criação artística. Hoje olhando pra trás no blog eu encontro alguns textos que nem tem fundamento ao todo, como o Céu Rosa (talvez por causa da chuva de feminismo que se tem diariamente nas aulas de Teoria da Literatura, ou pela música Desconstruindo Amélia que foi lançada esse mês). O que tudo isso representa ou deixou de representar, antes ou agora não significam mais. É uma questão de protocolo de leitura. E talvez também de escrita, porque o que digo aqui hoje pode nem ser defendido novamente daqui um mês, um ano, seja lá o tempo que passe. Talvez até mesmo amanhã já não importe.
A criação artística então, é ainda mais descartável e inflexível para novas visões, porque com o bombardeamento simultâneo de informações elas perecem para darem lugar a outras. O texto não é lido e relido, é apenas lido e descartado. Não existe canonização cibernética (por enquanto) por isso os artistas passam despercebidos, seja qual for a magnitude que o termo “artista” represente.
Universalmente a importância final é tornar tudo produto, com uma embalagem colorida. Contanto que esteja disponível para venda, o artigo é importante. Talvez até mesmo um dia, tenhamos que esquecer a literatura, a música e o cinema, para dar lugar a novas artes mais comerciáveis. Tudo pode ser enterrado por baixo de panos e se tornar história, deixando lacunas para novos conceitos e atributos vagos. Mas não por isso acredito em uma arte imperecível ou em um conceito sólido. Nem quero acreditar, porque se fosse assim toda a vida perderia seu sentido transitório e finito. Se o que permanece em páginas é história, ela como palavra ou como item de consumo, pode ser alterada, desfigurada e reconstruída, seja por erros sutis, como o acréscimo de um “não” em um documento histórico, ou pela brutalidade tecnológica da edição de imagens e sons que reconfiguram nosso acesso à idéia de mundo e de idealismo empírico.
Dados estes fatos, não sobra muito espaço para divagação pessimista ou positivista, só o realismo que assume uma forma, amorfa e se instala ao inconsciente coletivo desordenando, subjetivamente, todo o conteúdo concreto. E também, por fim, encerra o ciclo ininterrupto de renovação e reciclagem ideológica, dando espaço para uma história linear de eventos aleatórios, onde nenhuma mão implica mudanças, exceto as que participam da existência corpórea desse universo.

2 comentários:

Vinícius Lourenço. said...

De certa forma, me agrada a idéia de que não há verdade absoluta. É uma visão bem científica, mas, aplicada à nossa mente, é como um tempero nessa vida tão sem gosto que vivemos nesse século.

Mas sabe de uma coisa Lennon, eu acredito que essa idéia de sobreposição de idéias é algo mais comum na nossa era. Com toda a utilização de tecnologia e derivados, qualquer coisa que se diga arte é rapidamente substituída por outra melhor, mais econômica, mais lucrativa, afinal, infelizmente a arte hoje, assim como tudo, tem como fim o capital.

Mas tu vê que existem gênios que nunca tiveram suas obras editadas ou cogitadas. Esses, de séculos passados. O que me leva a conclusão de que a gente deveria ter nascido em outros séculos haha.

Abraço velho, belo texto, continue sempre assim!

giovanealex said...

Oi. Gostei do seu blog - pessoal, mas sem as cafonices típicas dos blogs que adotam essa diretriz. E obrigado por colocar meu blog no seu blogroll dinâmico!

(Tô comentando aqui porque não achei e-mail pra mandar uma mensagem)