Thursday, December 25, 2008

Então, É!


Esta noite sonhei que vomitava. Vomitava rajadas de um líquido verde e amargo. O saber era tão desconcertante que amargava também minhas atitudes.
Sonhava que o vomito se misturava com a areia dourada de uma praia distante, onde com dificuldade eu tentava rastejar, para atingir um objetivo. Talvez também eu me locomovesse apenas na esperança de um dia idealizar um horizonte. Eu engatinhava por sobre a areia, engatinhava por sobre meu vomito.
Logo o sangue começou a jorrar do pulso aberto. O vermelho se misturou as cores, e eu pálido, já não conseguia mais mover os membros, quando me rendi, aquela imensidão de cores.
Vermelho, verde, branco e dourado.
Era natal. E as cores eram socialmente aceitas, mas meu estado deplorável de distinção, de decadência e de solidão não.
E nunca fui provavelmente não serei. E aceitarei a felicidade que as margens da sociedade proporciona, aceitando também o doce prazer da ausência.
Esse é meu legado natalino. Não aceitar e não conseguir normalizar os segundos que o capitalismo injeta em minha mente.
Talvez alguém prefira a missa do galo, mas eu continuarei para sempre vomitando e rastejando na areia.

Feliz natal.

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