Tuesday, November 04, 2008

Duo


E então está chegando o verão. E com ele o sol, o impiedoso sol.
Esse sol que carrega toda essa aura de exibição e a carga da identidade. A carga de ser sincero, a carga de ser claro.
Nos acidentes do destino, o meu amor surgiu junto com o sol, mas não por ser amor, se fez menos impiedoso.
Não impiedoso, mas cruel, cruel para comigo mesmo. Não, não, talvez nem cruel, apenas tão sublime que me assuste.
Ao olhar nos olhos de quem eu amo, eu simplesmente me transporto me esvazio ao todo por um momento, e volto, para emergir naquele momento de beleza. Tudo está se encaminhando de uma forma tão sutil e bonita, que só me fazem agradecer por tê-lo, mas também me amedrontar de tudo.
O amor pra mim, é um caminho com o qual eu tenho que encontrar todos os meus medos, todos os meus defeitos, todas as minhas imperfeições, vê-las ali na minha frente, e assumir a existência de tudo isso, e agraciá-las. Tudo isso pelo amor, pelo meu amor.
Olhar nos olhos do amor.
Pela primeira vez na minha vida, eu realmente tenho que encarar essa situação.
Gostar excessivamente de alguém, e ter essa pessoa do meu lado. Uma dádiva.
Cada segundo se torna belo, são mãos, braços, olhos, lábios, cabelos e detalhes.
E também o medo, porque não o medo?
Medo do incerto, medo de dar errado, medo de machucar a quem eu tanto quero medo de ser a pessoa errada, medo de não satisfazer.
Além do sol, além do amor, a figura amorfa mais aterrorizante também se aproxima.
E ela é outra que consome, que desintegra o âmago.
O vestibular.
Este ano estou bastante confiante, mas também quero meu amor ao meu lado nessa conquista, o que se torna duplamente preocupante.
O desejo de passar é tão grande e de poder ter uma vida ao lado do que desejo.
Planos já foram traçados em uma semana de conhecimento.
Sonhos.
Dois sonhadores, lógico, antes sonhar acompanhado do que estar entregue a solidão do sonho de ter alguém.
E o que eu quero disso tudo também está se materializando com cada vez mais intensidade na minha mente.
Quero alguém pra chamar de meu, acho que todos querem, seria cinismo negar. Quero alguém que compreenda também, o porquê de eu ter essa mania doente de complicar até os mais simples fatos da vida. Eu sou complexo, eu tenho complexos, e eu acho tudo isso bonito.
Até dado momento parece que eu achei.
E se talvez não tiver achado, vou continuar procurando nele mesmo.
Gosto dele, desejo ele, assim como a mim.
Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de passar tempo comigo mesmo.
Preciso de mim mesmo, preciso me derramar no teclado com o quarto escuro em plena tarde de verão. Preciso ouvir musicas totalmente sem sentido, preciso suspirar, preciso rir de mim mesmo, lembrar meus atos, acertar contas comigo mesmo, apreciar meu quarto, meu silêncio, meus medos, minhas dores. Preciso escrever, preciso tocar musicas, preciso gozar, preciso de espaço pra que todo meu ser não desapareça.
Nunca vou abrir mão do meu tempo, porém agora, além de minhas exigências serem o meu tempo, elas também incluem o nosso tempo.
Tempo pra conversar, rir, olhar nos olhos, segurar mãos, suspirar como idiotas apaixonados. Simplesmente sentir, e permitir cada vez mais a entrada do amor em minha vida.
Todas as nossas extremas diferenças, nossos diferentes modos de agir, falar, encarar a vida. Se unindo pra se tornar um dueto.
Estanho? Complexo? Bonito?
Talvez, tudo isso em um só casal.

1 comentários:

Mabel Raíssa said...

Gosh! Como sempre impecável, me esforço pra não agir feito uma "fã de sandy & junior enlouquecida", mas não consigo, tudo o que escreves adentra em mim como um furacão, amo, e como uma pessoa que ama, não vejo defeitos.
God, tenho a pessoa mais perfeita do mundo como melhor amigo, obrigado Tia Amy por ele existir na minha vida, amém.

ps.: primeiro blog que comento logada no meu *__*