Friday, November 14, 2008

Dois Em Três


Não é novidade dizer que eu estou me sentindo cada vez mais perdido nos dias (de novo).
Eu me nego a aceitar que ele vai passando, passando e quando você para pra analisar, ele passou em excesso. Ou ele está te torturando e caminha lentamente em frente aos seus olhos.
Brigas com meu relógio à parte, todo mundo tem suas indignações, e as minhas hoje apareceram escritas em um livro.
Estou relendo Mate-me Por Favor, quem me conhece sabe que eu já li ele várias vezes, e mesmo assim, tendo lido outras vezes, só hoje um trecho fez muito sentido pra mim, ou pelo menos me parecia fazer sentido discutir aqui. O trecho é parte do depoimento de Patti Smith sobre Jim Carroll.

Patti Smith: “Os poetas de St. Mark’s são muito insípidos, são umas fraudes, eles escrevem: “Hoje às nove e quinze tomei um pico de speed com Brigid...” São espertos o suficiente pra colocar isso num poema, mas se Jim Carroll entra doidão na igreja e vomita, isso não é um poema pra eles, não é cool.
Tudo bem se você joga isso na sua poesia, mas se realmente está nessa, aí já é outra coisa – não é algo que eles queiram encarar.”

Logo eu sublinhei maniacamente este parágrafo.
Pois o mundo é assim. O mundo aceita o próprio mundo em pedaços.
Eu sempre fui a favor de uma agressão geral a todos esses conceitos de pseudo-aceitação. Não aceita não aceita e ponto final, fingir que aceita pra se sentir socialmente correto é tão baixo quando simplesmente deixar claro que prefere que determinadas coisas existam apenas longe de você.
Vivemos no mundo assim com porque existe o negro, existe o gay, existe o machismo, existe o mendigo, existe a prostituta, existe o traficante, enfim, existem as profissões e os conceitos de comportamento que sustentam os pilares da sociedade, mas que são escondidos por vistas grossas da mesma.
Você aceita a existência de prostitutas como profissionais liberais? Excelente. Mas... Você aceita que sua irmã seja uma prostituta? Você acharia isso natural e deixaria ela viver a vida se fosse isso que ela quisesse fazer? Você diria para seus amigos que tem uma irmã prostituta?
O mesmo com o gay, você pode aceitar gays, mas você age com naturalidade quando vê um casal de homens se beijando na sua frente? Porque os casais homossexuais não podem andar de mãos dadas sem se sentir invadidos pelo “tumulto” momentâneo que eles causam? Você não se incomodaria se seu filho fosse homossexual?
Isso são dois exemplos lógico, todas as outras “minorias” também sofrem seguindo esse mesmo raciocínio.
Mas e porque então não podemos simplesmente dizer, eu não gosto de homossexuais, prefiro que eles estejam longe de mim.
Porque essa pessoa deve sofrer uma repressão? Ela está sendo sincera, não está violentando ninguém, só está estreitando seu circulo social e evitando situações desconfortáveis para si. Nem sequer podemos chamar isso de preconceito, seria mais uma preferência de associações.
Não é cinismo dizer que escolhemos com quem queremos conviver, então porque negar fatos tão simples? Contanto que tudo se mantenha no limite da diplomacia, e não pro lado animal irracional e selvagem, que de certa forma é uma derivação das fobias, todos estes conceitos são totalmente aceitáveis.
Eu também quero discutir outras coisas ainda nesse post.
Algumas pessoas me perguntaram nos últimos dias, porque eu gosto tanto de filmes como Jogos Mortais, ou porque às vezes eu escrevo coisas como sangue, vontade assassinar, vontade de se desfazer.
Simples, porque eu tenho urgência de existir. E toda a violência exacerba a existência.
Eu me lembro nitidamente de um dia que eu estava assistindo um capítulo de um anime que eu acompanho Hunter x Hunter, e em um momento um personagem chamado Kuroro, líder do grupo chamado Genei Ryodan está andando conversando com Néon, uma personagem um tanto quanto secundária, e ele diz que a grande aspiração da vida dele, era fazer aquilo que os mortos queriam fazer quando vivos. Logicamente ela pergunta:
- O que os mortos queriam fazer em vida?
Ele responde:
- Uma coisa extravagante!
Isso é a urgência de existir, fazer coisas extravagantes. Existir ao máximo por um momento porque não quer se desprender da vida, quer extrair ao máximo dela, até a exaustão do corpo e mente. Espero que isso responda.
Agora vamos às relações interpessoais.
Algumas pessoas são extremamente diferentes, e vivem azuis. Algumas pessoas mais diferentes das azuis são rosas.
Eu gosto de azul, e o azul, pode ser azul claro ou azul marinho.
Você consegue misturar azul marinho, com azul marinho?
Conseguir você até consegue, mas a cor que resulta não é exatamente a mesma do que eles separados?
Então não seria muito mais interessante misturar azul com outra cor diferente?
Talvez sim. Mas e se você simplesmente se apaixonasse pelo azul marinho, e o azul marinho por você. Nada no mundo pode os separar. Mas como vocês são partes de cores, uma hora ou outra irão se misturar. E quando se misturarem, o medo de serem “polarmente” incompatível faria o que com você?
Vontade de esquecer o azul marinho, ou será que você se transformaria em outra cor para amar?
Por mais complicado que pareça, ainda existe quem viva isso. Brincando de pintura.
As vezes todos os quadros da sua existência parecem borrados, mas o que seria da vida sem as dificuldades?

2 comentários:

Helena said...

:O

chuva de ética..
ou seria.. verdades na que ~mesmo na face de alguem ela não é vista..ou compreendida..
nossa lennon..
amei
o final quebrou as minhas pernas

;*tnks

matheuss said...

muito bom, mesmo.
me faz pensar.