
Vi sobre o caso do menino que entrou no colégio de Realengo atirando em seus coleguinhas alguns minutos atrás. Não entendi.
Também lembro de muitos outros episódios em que meninos invadem suas escolas com armas apenas para atirar nos estudantes. Dizem eles que queriam se tornar celebridades. Também não entendi.
Não entendi em que momento nos tornamos tão mecânicos que a intimidade com a arma de fogo é maior do que com a lâmina. Onde perdemos esse contato um com o outro, esse carinho doloroso da proximidade.
Os jovens hoje se afastaram dessas concepções românticas e mergulharam em um excesso de sanitariedade. Não existe mais glória em se banhar com o sangue do adversário.
A situação perfeita é quando alguém invade a escola e degola 13 colegas, tropeça no sangue e esfaqueia o próprio braço.
Mas existe uma resistência óbvia a essa idéia, dada pelo bom senso de cada. Como enfrentar 13 crianças ao mesmo tempo?
Será possível hoje degolar 13 crianças sem que as outras reajam violentamente? Seria suficiente apenas trancar a porta para que 12 não escapassem?
Seriam elas capazes de pular a janela num lampejo final pela sua vida?
E ao entender essa conseqüência, existiria alguma possibilidade de assassinar crianças no primeiro andar?
Todas essas perguntas que me perturbaram também me fizeram compreender diversas outras coisas. O quão mais eficaz é essa mecanização.
E é com a compreensão daquele que revê seus erros e se corrige, que hoje aderi às serras elétricas.
Um abandono à intimidade, mas um abraço à praticidade.